- Diário de Bordo, Filosofia, Trekking

A melhor trilha que não fizemos

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epois de conversarmos muito com Ale (dono do hostel e que também gosta muito de trekking) e com Gabi (nosso amigo argentino) decidimos que a última trilha seria a Sierra Valdivieso, porém faríamos um circuito diferente do convencional.

Nós começaríamos pelo final do circuito tradicional, iríamos subir as cinco lagunas e retornar pelo mesmo caminho, enquanto o circuito tradicional inicia mais a frente na Ruta 3, contorna a serra, desce as lagunas e finaliza no ponto onde começamos.

Minha expectativa para essa trilha era muito alta mesmo, todos que conheciam falavam muito bem, que a paisagem era linda demais. Ao mesmo tempo falavam que era um trekking bem puxado e que a trilha não era demarcada, ou seja, quem quer que fosse fazê-la, teria que se preparar bem.

Um dos motivos pra escolhermos esse circuito alternativo era porque tínhamos pouco tempo, enquanto o tradicional era feito em cinco dias, nós só tínhamos três dias disponíveis e seria relativamente mais fácil, mas não foi bem assim…

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Dois dias, duas cascatas

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ra sexta-feira e não pretendíamos dormir no hostel naquele dia. Não fizemos reserva, queríamos economizar e intercalar a hospedagem com camping tem se mostrado uma das formas mais eficazes de fazer isso.

Mandamos uma mensagem para o Gabriel pedindo uma indicação de bom local para camping e sua resposta foi “Los busco em media hora”, mais uma vez ele surpreendia com sua atenção e prestabilidade. Nos buscou e nos levou até um ponto na saída da cidade, cerca de um quilômetro depois do posto policial, na Ruta 3. Havia um mapa na entrada da trilha, explicando como chegar à Cascada de los Amigos, Gabriel ainda nos deu algumas instruções para que não nos perdêssemos, pois a trilha tinha algumas bifurcações.

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Laguna de los Cinco Hermanos

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uando começamos a pensar em um destino para o dia do aniversário da Bruna decidimos que teria que ser algo mais leve para que pudéssemos voltar ao hostel em tempo de conversar com os familiares e festejar com o pessoal daqui, mas ainda assim teria que ser algo belo, afinal de contas, eu tinha planejado um pedido de casamento, não poderia ser em qualquer lugar.

Quando Gabriel comentou sobre essa trilha que nos levaria a uma laguna pouco visitada e que tinha uma vista linda para a cidade e para o monte Olivia meus olhos brilharam, era essa. Ele nos fez um grande favor e foi nos buscar no hostel e nos deixou no início da trilha, tratou de explicar alguns detalhes e nos mandamos.

O início da trilha é muito similar com quase todas aqui da região, começamos passando por um bosque de lengas muito bonito. Depois do bosque, chegamos em um ponto onde podíamos ver uma bela cascata e se iniciava um campo mais aberto. A trilha até esse ponto não era difícil, era rasoavelmente demarcada e não era tão íngrime. Mas a partir desse ponto não havia muito caminho para seguir, então miramos o alto da montanha e começamos nossa “escalaminhada”, pois daqui pra frente o caminho se tornou bem mais íngrime e até agora não sabemos se pegamos o caminho errado ou se simplesmente era mais difícil mesmo.

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Paso de Las Ovejas – Laguna del Caminante e Cañadon de las Ovejas

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entou muito durante a noite e acordamos com chuva. Por algum tempo ficamos dentro da barraca, dormindo e pensando que talvez nosso passeio tivesse que terminar por ali. Mas lá pelas 10:00h a chuva parou e pudemos tomar um café, desmontar as barracas e seguir novamente.

Voltamos praticamente para o ponto inicial da trilha, atravessando novamente a ponte capenga e então pegamos o caminho mais à esquerda (não há nenhuma placa indicativa para essa trilha, aí é pelo olho e pelo GPS mesmo). O caminho era aberto, porém bastante enlameado, sempre com a companhia de cavalos selvagens nesse trecho. Antes que pareça algo irreal (unicórnios?), cavalos selvagens são exatamente iguais aos normais, são dóceis, tem o pêlo brilhante e a única diferença é que não possuem a marcação a ferro dizendo quem é seu dono.

Seguimos por essa trilha, Katy sempre carregando o mate a tiracolo, João de olho no GPS e Diego com a câmera e em certa altura paramos para almoçar em um ponto um pouco mais limpo. 

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Paso de Las Ovejas – Lagunas Encantada e de los Tempanos

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ercorrer o “Paso de las Ovejas” era um plano que guardamos numa caixinha, no fundo da mochila. Queríamos muito fazer, pois poucas pessoas a percorrem, mas não tínhamos certeza se seria possível, já que não temos GPS e todos nos diziam que a trilha era um pouco complexa, com possibilidades de pegar caminhos errados.

Estávamos no hostel decidindo o que fazer, quando o português João nos disse que gostaria de fazer esse caminho também e, para nossa alegria, tinha um GPS! Ele, por sua vez, não tinha fogareiro e nós sim. Pronto, juntos tínhamos tudo o que precisávamos e em poucos minutos já estávamos preparando a rota e organizando os detalhes para a caminhada. Junto com a chilena Katy, formávamos um quarteto portunhol. Sabíamos que esse trekking iria exigir um pouco mais que os outros que fizemos, pois seriam três dias de caminhada árdua com a mochila completa com os equipamentos de camping nas costas, então procuramos pensar bem em cada detalhe, comprar a comida e o gás para que não faltasse (afinal, diferente do que nos aconteceu no parque nacional, ali não teríamos um restaurante para salvar a fome) e ainda organizar tudo de forma que as mochilas não ficassem tão pesadas, para isso, deixamos no hostel algumas coisas que não iríamos usar. 

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- Filosofia

A viagem interna

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uando começamos nossa aventura nosso objetivo nunca foi só fazer turismo, conhecer lugares novos, novas pessoas, culturas e tudo mais, claro que tudo isso é maravilhoso, mas acredite se quiser, a viagem mais importante é a viagem interior.

Com toda a certeza do mundo estamos fazendo essa viagem para descobrir mais sobre nós mesmos, não só sobre o mundo. Descobrir mais sobre o nosso mundo, o que está dentro das nossas cabeças. Talvez terminemos a viagem com ainda mais perguntas do que iniciamos, mas com certeza estaremos mais próximos de muitas respostas. Afinal, o autoconhecimento é como qualquer outro conhecimento que se pode adquirir, quanto mais você se aprofunda, mais informações você tem e essas informações te levam a novas perguntas e assim seguimos aprendendo.

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De veleiro pelo Canal de Beagle

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arco pequeno, barco grande, catamarã, muita gente, pouca gente, exclusivo, diferenciado, não-convencional, com caminhada, com café, com cerveja artesanal…

A região próxima ao porto de Ushuaia está cheia de casinhas que oferecem toda sorte de navegações pelo canal de Beagle. Ouvimos todas as explanações sobre o quanto cada um deles era imperdível e por fim, um veleiro. Um pequeno veleiro para dez pessoas, no más, que nos levaria pelo canal, passando por diversas ilhas e parando em uma delas para uma caminhada, foi o eleito.

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- Diário de Bordo, Filosofia

O lugar e o tempo certo para se dizer sim

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ia 03 de fevereiro de 2015, faltava um dia. A cabeça simplesmente não conseguia descansar, toda música, toda conversa, todo momento parecia me lembrar: : “é amanhã“.

Iniciamos a trilha para a Laguna de los Cinco Hermanos, coloquei o fone de ouvido e tentei esconder minha ansiedade, não sei se fui bem sucedido nesse ponto. Essa trilha não era uma escolha muito comum entre os destinos daqui de Ushuaia, era conhecida entre os locais, mas pouco divulgada, talvez por isso tenhamos escolhido ela para um dia tão especial.

Chegamos ao destino no meio da tarde, começamos a montar acampamento (o que se mostrou uma tarefa mais difícil que o comum, porque o terreno era bem mais “problemático” do que os outros que já havíamos encontrado), a Bruna foi preparar nosso almoço e eu fui fotografar o local e os arredores.

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- Diário de Bordo, Trekking

O tranquilo glaciar Martial

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uando finalizamos nossa temporada de 6 dias de camping estávamos doidos para voltar ao hostel, tomar um bom banho quente, fazer algumas refeições mais completas e ter um lugar quentinho pra dormir. Enfim, o plano era passar algum tempo mais tranquilos, sem fazer nada muito pesado pra recuperar as energias, mas a Bruna simplesmente não consegue.

Chegando no hostel já agendamos o passeio de barco pelo canal de Beagle para o dia seguinte e conversando com outros brasileiros já encaixamos a subida do glaciar Martial também. E pensei comigo: “lá se foi nosso tempo de descanso”, mas até que tudo foi bem tranquilo.

Talvez o trekking do glaciar Martial seja o mais tranquilo pra se fazer em Ushuaia, o início dele fica a 7km do centro da cidade e a subida leva aproximadamente uma hora. Como estávamos em 4 pessoas (eu, Bruna, Gabriel e Vitória) decidimos pegar um táxi até o início da subida que nos custou ARS 25,00 (aprox. R$7,00) por pessoa. A subida inicia com uma trilha bem aberta até a estação de esqui, que agora no verão está fechada, passa por um pequeno trecho com um bosque e depois somente pedras e chão batido até o topo. Não é como uma caminhada no centro da cidade, mas comparado aos outros trekkings da região é o mais fácil.

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Parque Nacional Tierra del Fuego – Final da Ruta 3

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o último dia de estadia no parque acordamos cedo, começamos a arrumar nossas coisas para partir, comemos algumas torradas e caminhamos para as últimas trilhas que faríamos ali. Deixamos duas trilhas curtas separadas, pois teríamos pouco tempo até a van retornar para nos buscar conforme tínhamos combinado.

Uma das trilhas passava por uma castoreira que ainda está em atividade, mas infelizmente dessa vez não encontramos nenhum castor enquanto passamos por lá. Os castores não são nativos dessa região, foram trazidos para cá pelo homem e acabaram causando um estrago enorme na floresta daqui, pois atingiram um tipo de vegetação que não sobrevive aos espaços alagados que eles produzem e também, na sua maioria, são árvores que não brotam após terem sido cortadas uma vez.

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