- Diário de Bordo, Trekking

Circuito em Torres del Paine – Dia 5

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ia 5 – 18km – Acampamento Serón > Acampamento Dickson

Acho que foi no quinto dia de caminhada que começamos a sentir mais forte o efeito positivo das montanhas em nosso interior. Eu ainda sentia dor nos meus pés, Diego nas costas e ambos com pequenas dores por todo o corpo, mas parece que estávamos nos acostumando com isso, as mochilas começavam a ficar mais leves e já estávamos aprendendo a controlar nosso ritmo. Eu me sentia capaz de caminhar mais rápido e assim começávamos a aproveitar tudo o que passamos como um grande aprendizado.

O caminho do Serón até o Dickson é lindo demais, muito mais interessante que o do dia anterior (tirando o arco-íris nas torres, claro). Igualmente é mais íngreme e ainda assim arranca suspiros. A primeira grande subida nos deixa de costas para um lago azul profundo, cheio de tonalidades e quanto mais subíamos, mais bonita ia ficando a paisagem e mais vontade dava de subir. Começamos a brincar de “liberar mapas”, porque era como se de tempos em tempos, uma parte do mapa fosse liberada a cada parte da missão da caminhada que cumpríamos, como em um jogo.

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Circuito em Torres del Paine – Dia 4

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ia 4 – 23km – Acampamento Torres > Base de las Torres > Acampamento Chileno > Hotel las Torres > Acampamento Serón

Às 04:45h despertamos, queríamos chegar na base das torres às 06:15h no máximo e entre o acampamento e a base tínhamos uma estimativa de uma hora de caminhada, então era melhor acordar mais cedo e garantir do que perder o momento do nascer do sol. Ainda assim, a mesma chuva que havia começado na noite anterior persistia e não foi muito animador pra sair da cama.

Comemos só algumas frutas secas e partimos, não arrumamos nada na barraca, apenas pegamos a mochila pequena, as lanternas e saímos. A trilha não era difícil, mas fazer uma trilha que não se conhece, numa condição climática ruim e durante a noite não era uma missão nada fácil.

A trilha é razoavelmente íngreme, começa em um bosque e mais ao fim é de pedras que se estendem até a beira do lago na base das belas torres. Quando saímos do bosque e ficamos nessa parte aberta sentimos mais a chuva e o vento e o frio começou a bater.

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Circuito em Torres del Paine – Dia 3

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ia 3 – 20km – Acampamento Los Cuernos > Acampamento Chileno > Acampamento Torres

Quando estávamos no acampamento Italiano, aproveitamos para fazer a reserva para o acampamento Torres, gratuito e o único que necessita reserva em todo o parque. Na manhã do terceiro dia então, desmontamos a barraca sabendo que este deveria ser nosso destino.

A trilha desse dia segue beirando o lago e nessa parte cruzamos com muitas pessoas, pois é um dos caminhos mais fáceis de percorrer para quem não quer fazer o circuito completo e até mesmo para quem passa apenas um ou dois dias no parque.

Foi um dia difícil porque meu tornozelo, que eu já havia começado a sentir no dia anterior, estava pior, tinha inchado e machucava muito com a bota. Sempre que parávamos e o corpo esfriava, precisava passar um tempo caminhando devagar, quase mancando e o mesmo ocorria quando passávamos por um caminho mais irregular. Era muito complicado, porque eu via que o Diego observava a cada grupo que nos “ultrapassava” com um sentimento dividido entre querer chegar mais rápido e ao mesmo tempo me ajudar de alguma forma.

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Circuito em Torres del Paine – Dia 2

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ia 2 – 15km – Acampamento Italiano > Mirador Británico > Acampamento Italiano > Acampamento Los Cuernos

Depois de termos montado o acampamento meio as pressas na noite anterior acordamos mais tranquilos para começar a caminhada do segundo dia. Teríamos nesse dia as primeiras subidas mais íngremes do trajeto, mas nessa parte pudemos deixar as mochilas pesadas no acampamento onde dormimos e subir só com a mochila pequena com comida para o dia, água e as jaquetas corta-vento.

Nossa programação com os alimentos era inverter o café da manhã com o almoço porque em quase toda a rota que tínhamos planejado não teríamos local para cozinhar no meio do dia, pois também não é permitido cozinhar nas trilhas. Então geralmente comíamos macarrão, sopa e até mesmo feijão no café da manhã e deixávamos nossos sanduíches para o que seria o almoço. A comida que não precisava ser cozinhada (como as frutas secas, barras de cereal e os sanduíches já prontos) já estava organizada em sacos individuais com as porções corretas para cada dia. Essa dedicação nessa parte da organização também valeu a pena pois durante o caminho quando se está cansado, qualquer esforço poupado vale a pena e a Bruna mandou muito bem.

Tomamos nosso “café”, desmontamos o acampamento, deixamos as mochilas pesadas junto à casa dos guarda-parques e iniciamos os primeiros 5km subindo até o Mirador Britânico. Perto do meio do caminho temos um outro mirante que tem uma vista linda para o Paine Grande e o Glaciar del Francés. Ficamos um bom tempo apreciando a vista e de tempos em tempos, víamos pedaços de gelo desprenderem do glaciar e caírem em pequenas avalanches, fazendo um estrondo e arrancando diversos “ohhhh” dos presentes. Depois disso seguimos até o Británico. O caminho varia entre trechos com pedras beirando o rio que desce do glaciar e trechos de bosque, em cada parte mais aberta se tem um visual maravilhoso, ora para o Paine Grande no lado esquerdo, ora para os Cuernos no lado direito.

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Circuito em Torres del Paine – Dia 1

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ia 1 – 23,5km – Sede Administrativa > Las Carretas > Paine Grande > Acampamento Italiano

Eram 07:00h na cabana aquecida do nosso Couch, Santiago. O despertador anunciava que era hora de começar a caminhar e dia já começou diferente quando comemos arroz, ovos e tomate em pleno café da manhã, para aguentar o tranco do que estava por vir, o grandioso Parque Nacional Torres del Paine.

As mochilas já estavam prontas desde a noite anterior, usamos o tempo que passamos na casa do Santi para organizar tudo, tirar o que não fosse necessário das mochilas e preencher o espaço com comida suficiente para dez dias.

Não eram 08:00h e já estávamos na rua principal, onde esperávamos que alguém que estivesse a caminho do parque nos desse uma carona. Foi rápido, nem 15 minutos e um simpático casal de espanhóis parou seu carro e gentilmente nos conduziu por 150km até o parque. Eles entrariam pela portaria sul, bem longe de onde pensávamos em começar, porém como faríamos o circuito completo, não importava muito por onde entrássemos, pois íamos dar toda a volta e sair no mesmo lugar. 

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- Filosofia

Beleza relativa

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nquanto aguardava o sol ir baixando lentamente no céu de Ushuaia em um dos dias que estávamos no Parque Nacional Tierra del Fuego fiquei do lado de fora da barraca, meio cuidando da câmera que estava trabalhando, meio apreciando o sol se pondo e meio olhando fixamente para um barranco na beira do rio ao lado.

Sim, olhando para um barranco. O mesmo barranco que esteve ali pelos últimos 4 dias em que estivemos ali e eu nem sequer havia reparado direito. Passei muito tempo fitando-o, num estado quase meditativo, apreciando cada detalhe que ele tinha pra me oferecer e o quão belos eram esses detalhes.

“Me oferecer”, quanto egocentrismo da minha parte. O barranco estava ali, ele existia e pronto, ele estava pouco se importando se estava sendo observado ou não, e definitivamente não estava me oferecendo nada intencionalmente, mas isso é só um detalhe.

Mas o que eu queria realmente dizer com esse post é que se pararmos para observar qualquer coisa com um olhar desprendido de preconceitos e de ideais prontos podemos observar a beleza em tudo. É um pouco do olhar inocente das crianças, que ficam admiradas com qualquer coisa nova que lhes vem aos olhos, com o tempo vamos perdendo isso, mas de alguma forma, em alguns momentos, temos que buscar isso de volta.

Que busquemos sempre aprimorar todos nossos sentidos para que cada vez mais possamos nos sentir presentes em todos os momentos aproveitando a beleza em tudo.

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- Filosofia

Saudades

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uando fomos no correio do fim do mundo e enviamos os postais para nossas famílias tive um momento de reflexão bem forte. Aliás, alguns momentos. Durante a caminhada de volta até o acampamento e depois durante o tempo de descanso pensei muito em meus pais, meu irmão e minha cunhada e também na mais nova e bela integrante dessa família, nossa sobrinha.

Pude sentir o quão forte é minha ligação com eles e o quanto eles podem se fazer presentes em mim, mesmo estando tão longe. Os ensinamentos de meus pais, as brincadeiras de meu irmão, o carinho de minha cunhada e a pureza de minha sobrinha. Todos esses sentimentos bons me inundam sempre que me pego pensando neles.

Nesse momento travei uma batalha interna, parte de mim queria que todos estivessem aqui, vivendo essa aventura comigo e aproveitando cada segundo dela como estou tentando fazer, essa era a parte do menino mimado. A outra parte era mais equilibrada, mais madura, essa parte sabia que cada um tem a sua própria aventura e sabia que nem todos os nossos desejos devem se tornar realidade.

Por fim, acho que a batalha ainda segue, afinal de contas não busco nenhum extremo nem outro, apenas quero um certo ponto de equilíbrio. Para isso e para tudo na vida.

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- Diário de Bordo, Filosofia

De coração e casa abertos

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ste post dedicamos a duas pessoas mais que especiais que encontramos em Ushuaia: Marisa e Gabriel.

Conhecemos eles durante o trekking do Paso de Las Ovejas e Gabriel não se parecia com nenhum dos argentinos que havíamos conhecido, falava pelos cotovelos feito um brasileiro e foi meio que um guia durante todo o percurso. Sabia tudo sobre a flora, a fauna e as montanhas de Ushuaia e foi nos explicando cada detalhe enquanto caminhávamos.

Logo comentei com a Bruna: “esse argentino é gente boa, vamos aprender muita coisa”. Seguimos pela trilha e no outro dia continuamos juntos, conversando bastante, brincando sobre as diferenças entre o espanhol e o português, aprendendo mais sobre as trilhas da região e, acima de tudo, nos divertindo muito.

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- Diário de Bordo, Navegação

Os pinguins de Magdalena

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 gente não podia passar pela Patagônia sem ver de perto esses bichinhos. Em Ushuaia o passeio estava muito caro e ouvimos falar que em Punta Arenas seria mais barato, e é basicamente por causa deles que essa cidade entrou no nosso roteiro.

Foi bem fácil comprar o passeio pela internet, através do site da Comapa e realmente saiu bem mais em conta, pagamos CH$ 30.000,00 cada um (R$ 133,00), menos da metade que o valor cobrado em Ushuaia.

O passeio seria no sábado as 15:00h e saímos de Ushuaia ainda na sexta à noite, de carona com o Gabriel, a Marisa e a Mayra. A viagem foi demorada, porque quando chegamos ao Estrecho de Magallanes, tínhamos de atravessar com uma balsa que só sairia as 08:30h da manhã seguinte, ou seja, dormimos no carro aguardando o transporte. Foi bem tranquilo, minha única preocupação era que tínhamos feito reserva para aquela noite no hostel em Punta Arenas e lá não havia sinal de celular para entrarmos em contato e cancelar. 

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- Dicas de viagem

Adiós Ushuaia, que te quedas bien

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shuaia é uma daquelas surpresas boas que a gente ganha da vida. Antes mesmo do avião pousar, já sentimos que gostaríamos do lugar. A vista das montanhas é espetacular e ainda mais lindo do que vimos em nossas pesquisas pré-viagem. Quando a gente vai viajar sempre fica aquele receio de que as fotos que vimos é apenas uma das vistas do lugar e o restante pode não ser tão bonito assim. Não é o caso de Ushuaia. Para todo canto onde se olha, há montanhas exuberantes salpicadas de branco, contrastando com as encantadoras construções coloridas. Estamos em uma cidade invernal e sabemos disso já no primeiro olhar.

Passamos um dia fotografando as casas, pois nos encantamos com a forma como são construídas. Não há um padrão, parece que cada uma tem uma personalidade e traz o gosto de seu morador. Os materiais são diversos, com destaque para a madeira e as chapas de metal e é muito comum encontrar casas mistas, com vários materiais ao mesmo tempo, coisa que em nossa região não encontramos e é inclusive mal vista, pois o governo dificulta a liberação de construção e financiamentos para casas assim. Eu penso que a mistura de materiais de forma criativa, prezando aqueles que existem em maior abundância na região e aqueles que mais favorecem ao clima local pode ser uma boa alternativa de arquitetura sustentável, ao invés de simplesmente adotar o concreto de olhos fechados.

O mais bacana é que a cidade se concentra ao redor do porto e não é preciso ir muito longe para encontrar lugares absolutamente vazios, preenchidos apenas de natureza. Não se vê civilização, não se ouve nada além do vento e dos pássaros. Esse estar longe e estar perto ao mesmo tempo é fascinante.

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