A confiança no outro

T

oda viagem é um processo de descoberta. De novos lugares, de novas pessoas, de você mesmo. Toda viagem é uma permissão para mudar, você passa a considerar as novas propostas que o mundo tem pra te oferecer.

Quando começamos a planejar a viagem não sabíamos ao certo qual era o nosso objetivo, mas arriscávamos alguns palpites e escolhemos ir a lugares mais inóspitos, com mais contato com a natureza e essa relação ficou evidente desde o começo. Nós pensávamos que íamos voltar experts em trekking e montanhismo, imaginávamos que esse era o ponto chave da nossa viagem e nos enganamos. Não porque a natureza não tenha sido importante, mas porque no decorrer do percurso algumas pessoas foram entrando em nossas vidas e nós fomos entrando na vida dessas pessoas. 

A gente foi se entregando de um jeito, que chegou um momento em que não conseguíamos mais pensar na viagem, sem lembrar das pessoas incríveis que fizeram parte dela. E passamos a escrever sobre essas experiências com muito mais afinco e carinho que quando falávamos de um lugar intocado. E acho que é mais ou menos isso, a natureza nos encanta, mas tem um ar de intocável, ela é poderosa e gera um sentimento forte de respeito e contemplação, o que é muito importante também.

as pessoas não são intocáveis, as pessoas pedem contato, pedem estar perto. Não foram poucas as vezes em que uma pessoa nos ajudou e, por mais irônico que possa parecer, agradeceu no final. As pessoas querem esse contato, fazer o bem é bom pra quem faz, tanto quanto pra quem recebe. Aquelas pessoas sabem disso e sabem tanto mais.

Não foram poucas as vezes em que fomos ajudados por pessoas que tinham muito pouco, mas naqueles momentos olhávamos para nós mesmos com as mochilas nas costas e víamos que aos olhos deles, quem tinha pouco éramos nós. Assim aprendemos que só podemos realmente avaliar uma situação se a vivenciamos, só podemos compreender como é precisar de um teto se nós mesmos não temos um para nos abrigar naquele momento. Você aprende na vulnerabilidade.

Fomos ajudados por completos desconhecidos e aprendemos muito sobre coragem. É preciso coragem para ajudar e coragem para deixar ser ajudado. Essas situações sempre nos fizeram lembrar que muitas vezes cria-se uma casca, às vezes por situações de violência vivenciadas, mas quase sempre por influência de uma mídia manipuladora e uma cultura baseada no medo e confunde-se segurança com indiferença. As pessoas não querem estar vulneráveis e não querem lidar com a vulnerabilidade do outro, preferem ficar em sua zona de conforto. Aos poucos vão se formando círculos de confiança e quanto mais fechado esse círculo, menos se olha para o entorno. Essas pessoas que conhecemos em nosso caminho nos mostraram que a proporção de gente boa ainda é maior nesse mundo. É urgente que todos saibam que ainda é possível confiar, que a maioria das pessoas que está ao seu redor vai retribuir seu sorriso e vai se contagiar com o bem que você fizer.

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Mostrando 2 comentários
  • Mário Klemann
    Responder

    Parabéns Bruna e Diego. Bela mensagem. Destaco aqui uma frase que talvez muitos ignoram.”Fazer o bem faz bem para a gente”. Quantas oportunidades perdemos na vida por não permitirmos uma aproximação maior com pessoas que estão anciosas por uma oportunidade. Parabéns também pela ousadia de viver essa aventura. De ir ao encontro do desconhecido e descobrir que podemos encontrar maravilhas se estivermos dispostos a isso. Espero que continuem essa caminhada por toda vida. Um grande abraço. Mário

  • Alini e Jalcimir
    Responder

    Primos Bruna e Diego parabéns, pela ousadia e coragem de viverem juntos essa jornada, Que Deus continue abençoando cada dia mais vocês. Abraços! Alini e Jalcimir.

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